Em 2022, pesquisadores da Universidade de Houston publicaram no Journal of Vocational Behavior um dos estudos mais abrangentes sobre síndrome da impostora em ambientes profissionais. Os resultados confirmaram que ela afeta desproporcionalmente mulheres em posições de maior responsabilidade.
O paradoxo do sucesso
Os pesquisadores identificaram que quanto maior a conquista profissional, mais intensa tendia a ser a sensação de não merecer. Chamaram isso de paradoxo do sucesso: cada nova conquista não fortalece a autoconfiança, mas intensifica o medo de ser desmascarada.
Três fatores centrais
O estudo aponta para três mecanismos principais. A ausência de referências femininas em posições similares amplifica o senso de deslocamento. O viés de atribuição leva mulheres a atribuir sucesso à sorte e fracasso a si mesmas. E o custo da competência cria a percepção de que mulheres precisam trabalhar mais para provar o mesmo nível de capacidade que colegas homens.
O que isso significa na prática clínica
Na prática como psicóloga, trabalho frequentemente com mulheres bem-sucedidas por qualquer métrica objetiva, mas profundamente exaustas por um esforço invisível: convencer-se todos os dias de que merecem estar onde estão. Esse padrão está diretamente relacionado ao burnout e à dificuldade de estabelecer limites que muitas trazem para o consultório.
A psicoterapia oferece um espaço para compreender a origem desses padrões e desenvolver uma relação mais honesta consigo mesma. Se você se identifica com essa experiência, conheça mais sobre o trabalho de terapia para mulheres.
Referência: Bravata, D. M. et al. (2022). Prevalence, predictors, and treatment of impostor syndrome. Journal of Vocational Behavior, 134, 103679.