O psicólogo Joseba Achotegui cunhou o termo síndrome de Ulisses para descrever o sofrimento de quem emigra: um luto múltiplo, crônico e vivido em silêncio. Para brasileiros que vivem fora do Brasil, o luto migratório é uma das experiências emocionais mais comuns e menos reconhecidas.
O conceito
Achotegui descreve o luto migratório como a perda simultânea de múltiplos elementos: família, língua, cultura, terra, status social. O que torna esse luto complexo é sua natureza ambígua — sem fim claro e frequentemente invalidado. A frase mais comum que brasileiros no exterior ouvem quando tentam expressar esse sofrimento é: você escolheu ir. Como pode estar sofrendo?
Quando se complica
Uma pesquisa no International Journal of Social Psychiatry estimou que entre 30% e 40% dos imigrantes em condições de alta vulnerabilidade apresentam sintomas clínicos significativos relacionados ao luto migratório não elaborado. Esse processo está muitas vezes conectado a questões mais amplas de identidade e pertencimento.
O papel da psicoterapia
A terapia oferece um espaço para nomear e validar essas perdas. O objetivo não é apagar a saudade, mas acompanhar a construção de uma nova identidade que integra o que ficou com o que está sendo construído. Conheça mais sobre o meu trabalho com brasileiros no exterior.
Referência: Achotegui, J. (2009). Norte de Salud Mental, 7(21).