Um estudo de referência do psiquiatra Dinesh Bhugra, do Institute of Psychiatry do King’s College London, publicado na Acta Psychiatrica Scandinavica, mapeou como o processo migratório afeta a saúde mental em etapas que lembram o luto: a perda do que ficou para trás, a negociação com a nova realidade e, eventualmente, a reconstrução de identidade. Esse processo está no centro do trabalho que faço com brasileiros no exterior.

Migração como processo de perda

Bhugra descreve fases de pré-migração, migração e pós-migração, cada uma com seus próprios estressores. É na pós-migração que o luto costuma se manifestar com mais força: a euforia inicial da mudança dá lugar à saudade de vínculos, sotaques, cheiros e rotinas que não existem mais no novo país.

Por que a saúde mental é afetada

O estudo aponta o estresse aculturativo, a perda da rede de apoio original e a dificuldade de navegar uma cultura nova como fatores centrais de sofrimento psíquico entre imigrantes. Isso não é fraqueza nem falta de adaptação: é uma resposta esperada a uma ruptura real de identidade e pertencimento.

Elaborando o luto migratório em terapia

Nomear a experiência como luto, e não apenas como saudade ou dificuldade de adaptação, é parte importante do processo terapêutico. Saiba mais sobre o trabalho com luto migratório.

Referência: Bhugra, D. (2004). Acta Psychiatrica Scandinavica, 109(4), 243–258. doi.org/10.1046/j.0001-690X.2003.00246.x.

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