Um estudo da Universidade de Oxford, publicado na Nature Human Behaviour por Amy Orben e Andrew Przybylski, analisou dados de mais de 355 mil adolescentes e encontrou algo que contraria o senso comum: o uso de tecnologia digital explica, no máximo, 0,4% da variação no bem-estar dos adolescentes. É um dado importante para famílias que buscam apoio psicológico para adolescentes preocupadas com telas.

Um efeito real, mas pequeno

Os pesquisadores testaram centenas de milhões de formas diferentes de analisar os mesmos dados e encontraram uma associação negativa entre uso de tecnologia e bem-estar comparável, em magnitude, à de comer batatas regularmente — e menor do que a associação (também negativa) entre usar óculos e bem-estar. O sono, por comparação, tem uma relação com o bem-estar até 44 vezes mais forte do que o uso de tecnologia.

O que isso muda na prática clínica

Reduzir a queixa da família a “tempo de tela” pode desviar a atenção de causas mais relevantes: qualidade do sono, dinâmica familiar, comparação social ou eventos de vida. O celular costuma ser sintoma visível de algo mais profundo, não a causa isolada do sofrimento.

Quando buscar ajuda

Mudanças de humor, isolamento social ou queda no desempenho escolar merecem investigação além do uso de redes sociais. Conheça o atendimento para adolescentes.

Referência: Orben, A., & Przybylski, A. K. (2019). Nature Human Behaviour, 3, 173–182. doi.org/10.1038/s41562-018-0506-1.

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