Um estudo publicado no Journal of Child and Family Studies, conduzido por Kathryn Rizzo, Holly Schiffrin e Miriam Liss, ouviu 181 mães de crianças pequenas e encontrou associação clara entre a crença na “maternidade intensiva” — a ideia de que a mãe é insubstituível e deve se dedicar integralmente ao filho — e maiores níveis de estresse, depressão e menor satisfação com a vida. É um retrato preciso do que vejo em muitos atendimentos de terapia para mulheres.
O que as pesquisadoras encontraram
Não foi a maternidade em si que previu sofrimento psicológico, mas crenças específicas: achar que só a mãe pode atender às necessidades do filho e que a maternidade deveria ser constantemente desafiadora. Mães que endossavam essas crenças relatavam mais estresse e depressão, independentemente do apoio familiar percebido.
O paradoxo da parentalidade
As autoras chamam esse achado de “paradoxo da parentalidade”: quanto mais uma mãe internaliza o ideal de dedicação total, maior o risco à própria saúde mental. A culpa materna não nasce de falha pessoal, mas de um padrão cultural que faz qualquer limite parecer negligência.
O que muda em terapia
Trabalhar a culpa materna envolve questionar essas crenças herdadas, não apenas gerenciar a culpa que elas produzem.
Referência: Rizzo, K. M., Schiffrin, H. H., & Liss, M. (2013). Journal of Child and Family Studies, 22, 614–620. doi.org/10.1007/s10826-012-9615-z.