A socióloga Allison Daminger, da Universidade de Harvard, estudou rigorosamente o trabalho cognitivo doméstico acompanhando 35 casais ao longo de um ano. Mesmo em casais onde ambos trabalhavam em tempo integral, mulheres assumiam cerca de 70% do trabalho cognitivo de gerenciamento da casa e da família. Esse fenômeno está na raiz de muito do burnout feminino que chega ao consultório.

O que o estudo encontrou

Daminger dividiu o trabalho cognitivo doméstico em quatro componentes: antecipar necessidades, identificar opções, tomar decisões e monitorar resultados. Mulheres dominavam de forma esmagadora os dois primeiros, independentemente de quanto trabalhavam fora.

O custo psicológico

Pesquisas em neurociência cognitiva mostram que o gerenciamento de múltiplas responsabilidades simultâneas esgota os mesmos recursos utilizados para regulação emocional. Um estudo no Sex Roles Journal mostrou que a percepção de injustiça na divisão do trabalho cognitivo é um preditor mais forte de insatisfação conjugal e sintomas depressivos em mulheres do que a divisão das tarefas físicas. Isso tem implicações diretas também para a dinâmica dos casais.

Perspectiva clínica

Mulheres chegam ao consultório exaustas sem conseguir nomear de onde vem o cansaço. Nomear a carga mental é o primeiro passo. A psicoterapia pode ajudar a processar o esgotamento e a questionar as expectativas internalizadas que tornam esse padrão tão difícil de mudar. Conheça o trabalho de terapia para mulheres.

Referências: Daminger, A. (2019). American Sociological Review, 84(4). Lachance-Grzela, M. (2010). Sex Roles, 63.

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