Uma revisão sistemática publicada no Journal of General Internal Medicine, conduzida por pesquisadores da Stanford University, reuniu décadas de estudos sobre a síndrome do impostor e encontrou taxas de prevalência entre 9% e 82%, variando conforme a população estudada. O fenômeno aparece com força especial entre mulheres em posições de destaque, um padrão que reconheço com frequência no trabalho com liderança feminina.
O que a revisão encontrou
Os pesquisadores identificaram associação consistente entre a síndrome do impostor e maior ansiedade, depressão e esgotamento no trabalho. Mas também mostraram algo importante: não é um transtorno formal. É um padrão de pensamento, e padrões de pensamento podem ser reconhecidos e modificados.
Por que atinge tanto as mulheres
Ambientes que historicamente sub-representam mulheres em cargos de liderança amplificam a sensação de não pertencimento. Isso cria um ciclo: quanto mais uma mulher se destaca, mais ela questiona se merece estar ali. É um ciclo com raízes sociais, não apenas individuais.
O caminho para trabalhar isso
A psicoterapia ajuda a diferenciar autocrítica saudável de um padrão distorcido que despreza conquistas reais. Reconhecer a síndrome da impostora como um fenômeno estudado e comum é, muitas vezes, o primeiro alívio.
Referência: Bravata, D. M. et al. (2020). Journal of General Internal Medicine, 35, 1252–1275. doi.org/10.1007/s11606-019-05364-1.